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Suzano projeta segundo semestre mais favorável após impactos no 2º trimestre

Companhia espera demanda sazonalmente maior no segundo semestre e prevê efeitos da incorporação dos ativos de papéis de higiene adquiridos da Kimberly-Clark

A Suzano espera condições mais favoráveis para o negócio de celulose no segundo semestre de 2026, após um segundo trimestre afetado pela valorização do real, pelo aumento de custos associado ao conflito no Oriente Médio e pela concentração de paradas programadas para manutenção. A companhia também prevê impactos da incorporação dos ativos de papéis de higiene (“tissue”) adquiridos da Kimberly-Clark.

Segundo o vice-presidente executivo financeiro e de relações com investidores da Suzano, Marcos Assumpção, a demanda por celulose tende a apresentar comportamento mais forte na segunda metade do ano. “Sazonalmente, a demanda por celulose é maior no segundo semestre do que no primeiro”, disse ao Valor o executivo. “No segundo semestre também temos eleições no Brasil, e isso deveria ter um impacto em demanda por papel no mercado brasileiro.” Sobre preços, a companhia não comenta.

No segundo trimestre, encerrado em junho, a Suzano registrou receita líquida de R$ 11,59 bilhões, aumento de 6% em relação ao primeiro trimestre e queda de 13% na comparação anual. O Ebitda ajustado alcançou R$ 4,7 bilhões, alta de 3% frente aos três primeiros meses do ano e recuo de 23% ante o segundo trimestre de 2025, com margem de 41%.

O lucro líquido foi de R$ 1,807 bilhão, redução de 58% na comparação trimestral e de 64% em relação ao mesmo período do ano anterior.

VOLUME DE CELULOSE

As vendas de celulose somaram 2,9 milhões de toneladas no trimestre, queda de 11% em um ano. A retração ficou concentrada no mercado asiático e, segundo Leonardo Grimaldi, vice-presidente executivo comercial e de logística de celulose e de negócios Ásia, esteve relacionada à oferta disponível, e não a uma redução da demanda.

O executivo explicou que o segundo trimestre concentrou paradas programadas para manutenção nas principais fábricas de celulose da companhia, o que reduziu a disponibilidade do produto para comercialização.

“Nas Américas e na Europa, a grande maioria das nossas vendas é lastreada por contratos de fornecimento. Na Ásia, as negociações são quase diárias, quase semanais”, afirmou. “A gente só consegue ajustar essa disponibilidade na Ásia, já que os outros mercados são contratados.”

De acordo com Grimaldi, os indicadores de produção dos clientes asiáticos continuam positivos, com crescimento superior a 10% em todas as linhas de papel. Dados citados pela Suzano em seu comentário de resultados, com base em informações da consultoria SCI, apontam que a produção total de papel na China aumentou 13,8% no segundo trimestre, em relação ao mesmo período de 2025.

CUSTOS E PROTEÇÃO

O custo caixa de produção de celulose, desconsiderando os efeitos das paradas, aumentou 5% no segundo trimestre, chegando a R$ 843 por tonelada. A alta foi influenciada principalmente pelos preços do gás natural, da soda cáustica e do dióxido de cloro, que sofreram impactos relacionados ao conflito no Oriente Médio.

Apesar da elevação, o indicador ficou dentro das expectativas da companhia. A Suzano manteve a previsão de custo caixa médio de aproximadamente R$ 800 por tonelada para 2026.

Parte dos efeitos do aumento dos custos foi compensada por uma posição de proteção financeira estruturada antes da alta do petróleo. “A Suzano é uma das poucas empresas no Brasil que tinha feito uma posição financeira de proteção em derivativos para o preço do petróleo, e a gente fez isso muito antes do preço subir”, disse Assumpção.

O hedge de commodities resultou em um ajuste caixa positivo de R$ 147 milhões no trimestre.

ALAVANCAGEM

A alavancagem financeira em dólar da Suzano passou de 3,3 vezes para 3,4 vezes o Ebitda ajustado entre março e junho. Na comparação com um ano antes, o indicador também avançou, de 3,1 vezes para o nível registrado ao fim do segundo trimestre.

A companhia mantém como objetivo reduzir a alavancagem para 2,5 vezes o Ebitda ajustado, mas ainda não estabeleceu um prazo para atingir essa marca.

Fonte
Valor Econômico
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