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Retrospectiva 2025: entre recordes de produção e desafios estruturais

O setor de embalagens de papel encerra o ano sob desafios econômicos e estruturais, entre recordes de expedição e fechamentos de fábricas no mercado global

O ano de 2025 trouxe um cenário desafiador para a indústria brasileira de papel e embalagens. Entre recordes de produção, questões estruturais na reciclagem e movimentos estratégicos de expansão, o setor demonstrou sua capacidade de adaptação em meio a um ambiente econômico complexo. As notícias mais lidas pelos leitores do Portal Packaging ao longo do ano revelam um mercado em plena ebulição, marcado por investimentos bilionários, inovações e alertas sobre a necessidade de políticas públicas mais robustas. 

KLABIN INAUGURA A MAIOR FÁBRICA DE PAPELÃO ONDULADO DAS AMÉRICAS

Um dos marcos do ano foi a inauguração oficial da Unidade Piracicaba II da Klabin, em março. A maior e mais moderna fábrica de papelão ondulado das Américas representa um investimento de R$ 1,56 bilhão e tem capacidade de produção de 240 mil toneladas por ano, equivalente a 421 milhões de m² anuais. 

A fábrica opera com duas onduladeiras de última geração e nove impressoras, além de contar com um estoque vertical pioneiro na América Latina. A cerimônia contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e reforçou o modelo de integração da companhia no mercado brasileiro. 

REAJUSTES DE PREÇOS E CENÁRIO ECONÔMICO INCERTO

Fabricantes como Klabin e Irani promoveram aumentos nos preços das embalagens desde o segundo semestre de 2024, com sinalização de continuidade em 2025. A justificativa envolve crescimento da demanda e elevação nos custos de produção, especialmente com aparas de papel. 

Segundo dados da Irani, o valor da tonelada de aparas registrou alta de 73% no quarto trimestre de 2024, atingindo R$ 938. Durante a inauguração da Piracicaba II, o diretor de embalagens da Klabin, Douglas Dalmasi, confirmou: “A companhia vem implementando reajustes desde o ano passado e esse movimento deve continuar ao longo de 2025”. 

O ALERTA DA RECICLAGEM: DESAFIOS ESTRUTURAIS EM EVIDÊNCIA

O setor enfrentou um dos anos mais desafiadores na área de reciclagem. O setor de aparas de papel registrou o menor índice de reciclagem desde 2018, alcançando apenas 59,7%, conforme dados da ANAP. Embora o volume total tenha crescido 3% e o faturamento tenha saltado 30%, chegando a R$ 4,2 bilhões, a análise revelou fragilidades estruturais. 

O aumento de receita foi absorvido pelos custos necessários para reorganizar uma cadeia produtiva desestruturada em 2023. A ANAP alertou para a necessidade urgente de políticas públicas que estabeleçam percentuais obrigatórios de conteúdo reciclado. O desequilíbrio na balança comercial, com importações crescendo 47% e exportações recuando 7,5%, intensificou as preocupações com a competitividade nacional. 

CHINA REDUZ IMPORTAÇÕES E AFETA MERCADO GLOBAL

Os desafios na reciclagem foram amplificados pelo comportamento do mercado chinês. O mercado de papel reciclado sentiu os efeitos da queda de importações chinesas, com as compras do país registrando queda de 23,83% entre janeiro e novembro de 2024. 

A desaceleração é atribuída a estoques elevados, desaceleração no consumo interno e barreiras comerciais. Nos Estados Unidos, os embarques de papel reciclado ao exterior também caíram aproximadamente 11% em 2024, com a China absorvendo apenas 403 mil toneladas no período. 

PRODUÇÃO EM ALTA

Em meio a um período desafiador, a expedição de papelão ondulado não teve tanto vigor quanto em 2024 – um ano de recorde para o setor –, apesar de ainda apresentar fôlego em momentos pontuais, como em setembro, com avanço de 3% do IBPO, com recorde no volume expedido. 

Já no âmbito fabril, alguns fabricantes anunciaram recordes operacionais em 2025, como a Embrart, a Paraibuna Embalagens, a Sopasta, a Trombini e a MP27 da Klabin. 

MERCADO GLOBAL PROJETA CRESCIMENTO ROBUSTO

O desempenho brasileiro se alinha às projeções globais otimistas. O mercado global de containerboard deve atingir US$ 200,8 bilhões até 2034, partindo de US$ 150,9 bilhões em 2024, com CAGR de 2,9%, segundo o Global Market Insights. 

A explosão do comércio eletrônico representa o principal catalisador. As vendas globais de e-commerce B2C devem atingir US$ 5,5 trilhões até 2027. Grandes varejistas online estão intensificando o foco em soluções sustentáveis, favorecendo o containerboard produzido com fibras recicladas. 

CENÁRIO INTERNACIONAL: TRANSFORMAÇÃO SOB PRESSÃO 

No cenário global, a International Paper atravessou um período de reestruturação profunda. A companhia registrou prejuízo de 426 milhões de dólares no terceiro trimestre, impactada por 675 milhões de dólares em depreciação acelerada associada ao fechamento de fábricas. Apesar dos resultados negativos, o CEO destacou melhora sequencial de 28% no EBITDA ajustado das unidades de Packaging Solutions. 

EXPANSÃO E INVESTIMENTOS: MOVIMENTO INTENSO NO SETOR 

O segundo semestre foi marcado por movimentos estratégicos. A Trombini inaugurou seu primeiro centro de distribuição no Paraná, com investimento anual de R$ 10 milhões. A Embalagens Tocantins ampliou sua presença industrial com uma nova fábrica em Linhares, no Espírito Santo. 

A SIG anunciou que vai investir €6,7 milhões em sua unidade de Vinhedo, com ampliação prevista para 2025. A Irani sinalizou que está avaliando um novo ciclo de investimentos denominado “Plataforma Neos”, com foco em base florestal, celulose e papelão ondulado. A expectativa é alcançar a posição de terceira maior produtora do Brasil. 

PAPERIZAÇÃO E ECONOMIA CIRCULAR GANHAM FORÇA 

A transição para materiais sustentáveis consolidou-se como tendência estrutural. O papel cartão ganha espaço como solução à poluição plástica, com a produção global de plástico ultrapassando 400 milhões de toneladas por ano, sendo dois terços desse volume correspondentes a itens de curta duração. 

A paperização ganha força enquanto o tratado global contra poluição plástica enfrenta impasses. As negociações do Tratado INC-5 da ONU, realizadas em dezembro de 2024, tinham como objetivo estabelecer um acordo global contra a poluição plástica, mas divergências adiaram a assinatura para 2025. 

Uma pesquisa da GlobalData mostrou que 47% dos consumidores consideram a responsabilidade ambiental determinante em suas compras, e 73% preferem produtos com embalagens recicláveis. 

O QUE ESPERAR DE 2026 

Para 2026, o setor se prepara para consolidar avanços em práticas ESG, ampliar investimentos em tecnologia, fortalecer a economia circular e enfrentar os desafios de um mercado global cada vez mais competitivo e regulado. As notícias que movimentaram 2025 indicam o futuro que se desenha para a indústria brasileira de papéis para embalagem. 

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