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Reciclagem de papel avança na Europa, mantém estabilidade nos EUA e cresce na América Latina

Dados mais recentes indicaram liderança europeia com novas metas regulatórias, estabilidade norte-americana apoiada no consumo interno de fibra reciclada e avanços graduais na América Latina impulsionados por marcos legais e expansão de mercado

A reciclagem de papel e cartão segue como um dos principais vetores da economia circular em diferentes regiões do mundo. Dados recentes indicaram que Europa, Estados Unidos e América Latina apresentam estágios distintos de maturidade regulatória e desempenho, com metas específicas e desafios próprios para o setor.

EUROPA AMPLIA LIDERANÇA E IMPLEMENTA NOVO MARCO REGULATÓRIO

A Europa permanece na liderança global em reciclagem de papel. De acordo com dados divulgados pelo European Paper Recycling Council (EPRC) em julho de 2025, a taxa de reciclagem no continente alcançou 75,1% em 2024. O resultado mantém a região próxima da meta voluntária de 76% estabelecida para 2030 na Declaração Europeia sobre Reciclagem de Papel.

No segmento de embalagens, o desempenho é superior à média geral. O papel para embalagens atingiu taxa de reciclagem de 83,1%, o maior índice entre todos os materiais de embalagem na União Europeia. A maioria dos países europeus registrou taxas acima de 70%.

O ambiente regulatório foi reforçado com a entrada em vigor, em fevereiro de 2025, do Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR). A norma substituiu a diretiva anterior e estabeleceu critérios uniformes para os Estados-membros, além de metas progressivas de redução de resíduos de embalagens: 5% até 2030, 10% até 2035 e 15% até 2040, tomando como base os níveis de 2018.

Para papel e cartão, a Comissão Europeia definiu metas específicas de reciclagem de 75% até 2025 e 85% até 2030. O regulamento também determinou que todas as embalagens comercializadas no mercado europeu deverão ser projetadas para reciclagem a partir de 2030 e recicladas em escala até 2035.

ESTADOS UNIDOS MANTÊM ESTABILIDADE COM FOCO NO MERCADO INTERNO

Nos Estados Unidos, os dados mais recentes divulgados pela American Forest & Paper Association (AF&PA), em agosto de 2025, mostraram que a taxa de reciclagem de papel em 2024 variou entre 60% e 64%. No caso do papelão ondulado (OCC), os índices ficaram entre 69% e 74%. Em termos absolutos, cerca de 46 milhões de toneladas de papel foram recicladas no país ao longo do ano.

Os percentuais representaram leve retração em relação a 2023, quando as taxas oscilaram entre 65% e 69% para papel e entre 71% e 76% para papelão ondulado. Segundo a AF&PA, a redução está associada à diminuição das exportações de fibra reciclada, sobretudo para mercados asiáticos, e não a uma queda na reciclagem doméstica.

O consumo interno de fibra reciclada pelas indústrias norte-americanas apresentou crescimento. Em 2024, as fábricas utilizaram 32,7 milhões de toneladas de papel reciclado, volume 1,29 milhão de toneladas superior ao registrado no ano anterior. A participação de fibra reciclada no total de fibra consumida pela indústria atingiu 44,4% em 2024, ante 36,6% em 2005.

Diferentemente da União Europeia, o país não conta com metas federais obrigatórias para reciclagem de papel. O setor atua com base em compromissos voluntários, principalmente no âmbito da iniciativa Better Practices, Better Planet 2030, coordenada pela AF&PA. Atualmente, aproximadamente 79% da população norte-americana tem acesso a programas de coleta seletiva domiciliar.

AMÉRICA LATINA APRESENTA AVANÇOS REGULATÓRIOS E CRESCIMENTO DO MERCADO

Na América Latina, o cenário é marcado por diferenças entre os países. No Brasil, a taxa de reciclagem de papel alcançou cerca de 66,9%, conforme dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). O país integra o grupo dos dez maiores recicladores de papel do mundo. No segmento de papelão ondulado, aproximadamente 70% das embalagens são produzidas com fibras recicladas.

De acordo com levantamento da IndexBox, o mercado latino-americano de papel recuperado movimentou aproximadamente 13 milhões de toneladas em 2024. México, Brasil e Argentina concentram 85% do consumo regional, com volumes de 6 milhões, 4,7 milhões e 1,2 milhão de toneladas, respectivamente.

No campo regulatório, o Brasil avançou com a aprovação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), em 2022. O plano estabelece meta de 48% de aproveitamento de resíduos até 2040, considerando reciclagem, compostagem e recuperação energética. Para embalagens, portarias do Ministério do Meio Ambiente publicadas em 2024 fixaram a obrigatoriedade de reciclagem de ao menos 30% até o fim de 2025 e 50% até 2040.

Outros países da região, como Chile, Colômbia, México e Costa Rica, membros da OCDE, têm implementado políticas de Responsabilidade Estendida do Produtor (REP) e planos de economia circular. O Chile foi o primeiro país latino-americano a aderir à Rede de Pactos do Plástico da Fundação Ellen MacArthur e estabeleceu meta legal de neutralidade climática até 2050.

DIFERENÇAS ENTRE OS MERCADOS

A comparação entre as três regiões evidencia diferenças em desempenho e estrutura regulatória. Em taxa geral de reciclagem de papel, a Europa lidera com 75,1%, seguida pelo Brasil com 66,9% e pelos Estados Unidos, com índices entre 60% e 64%.

No segmento de embalagens, a União Europeia registra 83,1% de reciclagem para papel e cartão. Nos Estados Unidos, o papelão ondulado apresenta índices entre 69% e 74%, enquanto no Brasil a taxa para papelão ondulado gira em torno de 70%.

Quanto às metas para 2030, a Europa combina objetivo voluntário de 76% para papel em geral com meta obrigatória de 85% para embalagens sob o PPWR. Os Estados Unidos não adotam metas federais obrigatórias. O Brasil, por meio do Planares, estabeleceu meta geral de 48% de aproveitamento de resíduos até 2040, além de metas intermediárias para embalagens.

PERSPECTIVAS PARA O SETOR

Os dados indicam que a Europa avança com metas regulatórias mais rigorosas e consolida sua liderança. Nos Estados Unidos, a estabilidade dos índices é sustentada pelo aumento do consumo interno de fibra reciclada e por investimentos industriais. Na América Latina, a expansão de marcos regulatórios e o crescimento do mercado de papel recuperado apontam para oportunidades de ampliação da circularidade.

O papel para embalagens apresenta, globalmente, as maiores taxas de reciclagem entre os materiais de embalagem. O cenário reforça a relevância do setor de celulose e papel na transição para modelos produtivos baseados na economia circular, ao mesmo tempo em que impõe atenção às exigências regulatórias emergentes e à necessidade de investimentos em infraestrutura de coleta e processamento.

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