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Plataforma gratuita capacita catadores de recicláveis em todo o Brasil

Academia do Catador, lançada pelo Instituto Recicleiros em parceria com governo e empresas, busca promover inclusão produtiva e desenvolvimento profissional no setor de reciclagem

O Brasil produz anualmente cerca de 82 milhões de toneladas de resíduos sólidos, dos quais apenas 4% são reciclados, segundo dados da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA). Nesse cenário, estima-se que aproximadamente 800 mil catadores atuem em todo o país, conforme o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). Apesar de serem fundamentais para o sistema de reciclagem, a maioria desses profissionais enfrenta condições de trabalho precárias, baixa remuneração e ausência de contratos formais.

Com o objetivo de contribuir para a capacitação e inclusão produtiva desses trabalhadores, foi lançada a plataforma Academia Recicleiros do Catador, uma iniciativa do Instituto Recicleiros em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, SIG, Nestlé e Instituto Heineken. O lançamento oficial aconteceu em São Paulo (SP), na quinta-feira, 29 de maio.

A plataforma oferece acesso gratuito a conteúdos voltados à formação de catadores e técnicos que atuam na cadeia da reciclagem. As trilhas de capacitação abrangem temas como operação, segurança, gestão administrativa, liderança, cooperativismo, governança e relacionamento interpessoal.

“A Academia é a concretização de um sonho de constituir uma escola que não tratasse apenas de questões produtivas e administrativas, mas considerasse a dimensão humana, olhando para a origem e a história de vida dessas pessoas. A reciclagem, para nós, só é sustentável se for inclusiva e emancipatória”, afirmou Lusimar Guimarães, gestor da Academia do Catador.

Durante o evento de lançamento, foram realizados painéis de debate sobre os desafios enfrentados pelas cooperativas de reciclagem. O tema central foi “Inclusão Socioprodutiva de Catadores: construindo capacidade na base da cadeia de valor”, com a participação de representantes dos setores público e privado.

A formalização da parceria com o Ministério do Meio Ambiente ocorreu por meio de um Acordo de Cooperação, que prevê o desenvolvimento contínuo da plataforma. O Instituto Recicleiros será responsável pela gestão da ferramenta, incluindo o suporte técnico e o monitoramento, enquanto o Ministério contribuirá com a inclusão de conteúdos normativos e temas como Logística Reversa, Lei de Incentivo à Reciclagem e Remuneração por Serviços Ambientais.

A metodologia utilizada na Academia já é aplicada nas ações do Programa Recicleiros Cidades, presente em 14 municípios e com mais de 300 catadores e 40 técnicos em processo de formação. O conteúdo disponibilizado é resultado de 18 anos de atuação do Instituto Recicleiros e foi sistematizado com apoio das empresas parceiras para ser oferecido de forma gratuita.

“Entendemos que a demanda por capacitação de qualidade e aderente à realidade dos catadores vem de todo o Brasil. Com a experiência do Instituto Recicleiros na incubação e profissionalização de catadores, associada à possibilidade de deixar isso acessível e padronizado para quantos catadores tiverem interesse, acreditamos que temos um produto extremamente valioso e gerador de profundo impacto social. É um projeto de longa duração, de melhoria contínua, até que se torne a melhor e mais completa solução para o desenvolvimento profissional dos catadores”, explicou Erich Burger, diretor institucional de Recicleiros e um dos idealizadores da plataforma.

 

Empresas como SIG, Nestlé e Instituto Heineken atuam como apoiadoras do projeto. Além de contribuir com recursos, também participam do desenvolvimento de conteúdos e protocolos técnicos, dentro de uma abordagem de “inovação aberta”.

“Por meio da Academia queremos compartilhar o conhecimento e boas práticas gerados no Programa Recicleiros Cidades com outros catadores. Para nós, a construção de uma cadeia ética de reciclagem, que garante condições de trabalho seguras e remuneração digna aos catadores, é fundamental. Hoje, temos os times de saúde e segurança e de melhoria contínua da fábrica da SIG trabalhando junto com o time Recicleiros para desenvolver os melhores protocolos. Nosso objetivo é que os catadores trabalhem nas unidades de processamento com as mesmas condições que nossos funcionários em nossas plantas”, afirmou Isabela De Marchi, gerente de Sustentabilidade América do Sul da SIG.

Cristiani Vieira, gerente de Sustentabilidade da Nestlé Brasil, destacou a importância da iniciativa no contexto das metas da empresa: “A Nestlé apoia mais de oito mil profissionais de reciclagem em todo o Brasil, com ações estruturantes que desenvolvem melhores sistemas de reciclagem, aumentam o engajamento sobre o tema e a renda desses trabalhadores. Estar junto com o Instituto Recicleiros, na criação da Academia, faz parte do compromisso da empresa de ter 100% de suas embalagens desenhadas para reciclagem e/ou reutilização integrada à geração de impacto social positivo. E isso também acontece por meio da ampliação do conhecimento, que contribui para valorização dos catadores como empreendedores sociais”.

Vânia Guil, gerente executiva do Instituto Heineken, também reforçou a relevância do projeto para o setor de bebidas e para a promoção de justiça social: “Sabemos da importância de catadores para o funcionamento sustentável da indústria de bebidas, para o avanço da reciclagem e, principalmente, da nossa responsabilidade para com este público. O Instituto Heineken existe para atuar frente ao desafio de promover condições mais dignas de trabalho para essas pessoas, e parcerias como essa unem o nosso compromisso e recursos com a expertise de quem está diretamente ligado a essa ponta da nossa cadeia de valor, nos permitindo promover o desenvolvimento social e a inclusão produtiva necessários para gerar a transformação dessa realidade”.

Com a expectativa de ampliar ainda mais o alcance da iniciativa, o Instituto Recicleiros pretende atrair novos parceiros para consolidar e expandir o modelo de capacitação.

“Com o apoio de mais empresas, vamos amplificar este modelo que estrutura, qualifica e emancipa os atores envolvidos nesse segmento da cadeia produtiva, além de gerar conhecimento que é aberto e compartilhado com outras organizações que promovem os catadores. E, por fim, transformar o que alguns ainda chamam de lixo em recursos, trabalho e dignidade, afinal, essa é a nossa missão”, concluiu Lusimar Guimarães.

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SIG
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