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O progresso das máquinas de papel nos últimos 100 anos

Por Antônio Lemos, presidente da Voith Paper na América do Sul

Ao longo do último século, a indústria como um todo presenciou uma verdadeira revolução e com o setor de papel e celulose não foi diferente. Lógico que a profunda transformação vivenciada no planeta e as inúmeras mudanças no cenário mundial também impactaram as máquinas de produzir papel, mas o impulso visto com inovação contínua e aprimoramento tecnológico é um fato considerável e merece ser comentado aqui na coluna.

Estas mudanças refletem o compromisso do setor em atender às crescentes demandas por eficiência de produção, qualidade do produto e sustentabilidade ambiental. As inovações abrangem desde a melhoria no design das máquinas, otimizando a velocidade e a largura da produção, até o desenvolvimento de sistemas avançados de controle de qualidade, garantindo a excelência dos produtos fabricados.

Há 100 anos, máquinas de três metros de largura atingiam altíssimos 300 m/min. Na atualidade, fabricamos máquinas que rodam acima de 2000 m/min e máquinas com até 12 metros de largura!

Um aspecto central dessas inovações é a implementação de tecnologias mais sustentáveis, visando a redução do impacto ambiental da produção de papel. Isso inclui a adoção de práticas que minimizam o consumo de água e energia, além de estratégias para a reciclagem de resíduos. O setor também tem focado em melhorar a segurança das operações, protegendo os trabalhadores com protocolos mais rigorosos e equipamentos de proteção avançados, refletindo uma abordagem mais holística da produção de papel.

Nos últimos 15 anos, principalmente, a digitalização emergiu como força transformadora, possibilitando não apenas uma produção mais eficiente, mas também a coleta e análise de dados para a otimização contínua dos processos. A integração de sistemas inteligentes nas máquinas de papel permite uma precisão sem precedentes no controle de qualidade, na manutenção preditiva e na gestão da produção, o que nos permite dizer que estamos caminhando para uma nova era: a da fabricação autônoma e inteligente no setor de papel e celulose.

Hoje os algoritmos matemáticos podem simular com correlações altíssimas os processos de fabricação e isto já permite ajustes imediatos nas máquinas de acordo com qualidade de fibra, temperatura e muito mais. Não precisamos mais ficar totalmente dependentes de medições laboratoriais que levam muito mais tempo e atrasam os processos de correção!

Olhando para o futuro, a indústria de papel e celulose está diante do desafio de continuar a inovar enquanto enfrenta questões de sustentabilidade e eficiência energética. A adoção de fontes de energia renováveis, o desenvolvimento de materiais mais sustentáveis e a implementação de processos de produção de ciclo fechado são alguns dos caminhos explorados para garantir a viabilidade a longo prazo do setor.

Assim, a evolução nos últimos 100 anos na história das máquinas de papel é prova da capacidade de inovação e adaptação do setor de papel e celulose. À medida que a indústria avança, ela não apenas busca superar os desafios técnicos e ambientais atuais, mas também procura antecipar as necessidades futuras, garantindo que continue a desempenhar um papel vital na sociedade moderna, com um olhar sempre voltado para a sustentabilidade e a inovação.

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Antonio Lemos

Antonio Lemos, presidente da Voith Paper América do Sul, possui longa experiência no mercado de papel e celulose. Presente no Grupo Voith há 32 anos, o executivo ingressou na companhia em 1991, como estagiário na área de engenharia de aplicação e vendas, passando a ocupar o cargo de presidente em 2021. Antonio é apaixonado por Papermaking e considera que a construção de um mundo melhor é pautada pela união de pessoas dedicadas, ações sustentáveis e investimento em transformação digital.

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