O novo governo e o incentivo à reciclagem
Por executivos da Associação Nacional dos Aparistas de Papel (Anap)
O Governo do Brasil lançou, no final de junho, a campanha educativa “O Resíduo que Você Separa Vira Renda nas Mãos de Quem Recebe”, iniciativa que busca melhorar a separação de resíduos pela população e favorecer a triagem e a comercialização pelos mais de 1 milhão de catadores autônomos e cooperativas do setor que vivem da reciclagem no país.
O tema é extremamente relevante e deveria estar contemplado em todos os programas de governo, tanto dos candidatos à Presidência da República quanto dos que disputam os governos dos estados neste ano, em outubro.
Reciclagem não é apenas uma questão ambiental, mas também de geração de renda, inclusão social e desenvolvimento econômico. É positivo o governo promover uma campanha com esse foco, que estimula a reciclagem e fortalece o lado mais frágil da cadeia do setor.
Nesse ecossistema, o aparista é e sempre foi um elo essencial e estruturante da cadeia da reciclagem. Muito além de um simples consolidador de cargas, o aparista é o agente que viabiliza a economia circular na prática. De forma privada, ele estrutura a infraestrutura logística e operacional necessária para dar vazão aos materiais e financia a operação de toda a cadeia de fornecimento — sempre comprando à vista ou antecipadamente e vendendo a prazo. O aparista atua como um verdadeiro colchão financeiro e fiscal, sustentando uma rede que envolve e garante a subsistência de centenas de milhares de brasileiros.
O tema, com certeza, deveria pesar na escolha dos candidatos nas próximas eleições presidenciais e para os governos estaduais. Os candidatos devem focar em três eixos fundamentais: ampliar os investimentos em coleta seletiva e infraestrutura de triagem em todos os municípios (as cooperativas fazem uma triagem quase perfeita e geram empregos e renda); incentivar a indústria a utilizar mais matéria-prima reciclada por meio de leis e decretos; e promover campanhas permanentes de educação ambiental para aumentar a participação da população.
A reciclagem precisa deixar de ser tratada como um tema secundário e passar a integrar uma estratégia nacional de economia circular. Os candidatos devem ampliar os investimentos em coleta seletiva e infraestrutura de triagem em todos os municípios, incentivar a indústria a utilizar mais matéria-prima reciclada por meio de leis e decretos, além de ampliar as campanhas permanentes de educação ambiental.
O próximo governo, independentemente de quem for eleito, tem a oportunidade de transformar resíduos em riqueza, inovação e inclusão social. É essencial incentivar a reciclagem, principalmente em relação à tributação, que precisa ser padronizada. A reforma tributária precisa levar isso em consideração para não impactar negativamente toda a cadeia, a começar pela base, que são os catadores, passando pelos aparistas, até chegar à indústria recicladora.
O novo governo tem o dever de colocar a reciclagem, um dos setores mais importantes para a preservação ambiental e a economia circular, como prioridade em seu programa.
A sociedade moderna, em todo o mundo, trata a reciclagem e todos os segmentos ligados a ela como fundamentais para a defesa do planeta. Já está na hora de o Brasil, que sediou a última COP, mostrar o seu compromisso com a reciclagem.













