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O horizonte regulatório do papel e o papel das pessoas na transição técnica

Por Júlia Gabriela Dick, Coordenadora de Produção de Papel na Trombini Embalagens S/A e mestra em Engenharia e Ciências Ambientais

A publicação do Decreto nº 12.688, de 21 de outubro de 2025, trouxe um novo marco para a indústria de embalagens plásticas ao estabelecer a obrigatoriedade do uso de conteúdo reciclado pós-consumo (PCR). Para grandes empresas, a exigência entrou em vigor em janeiro de 2026, com metas progressivas até 2040.

Independentemente do material, o decreto evidencia uma tendência clara: as exigências ambientais deixaram de ser apenas compromissos voluntários para se tornarem requisitos regulatórios. E isso levanta um questionamento vital: se um movimento semelhante alcançar o setor papeleiro em breve, estaremos preparados?

Os impactos vão muito além do aumento da produção de papéis reciclados. Para atender à nova demanda, o setor precisará de uma transformação em cascata:

  • Ampliar a disponibilidade de fibras recicladas de qualidade;
  • Investir em tecnologias de reciclabilidade e novos materiais;
  • Adaptar processos industriais e fortalecer a rastreabilidade;
  • Revisar especificações técnicas e acelerar a inovação em produtos.

Tudo isso mantendo, simultaneamente, o desempenho e a sustentabilidade. Mas existe um fator crítico que ainda passa despercebido: quem conduzirá esse novo momento?

À medida que os desafios técnicos aumentam, cresce a necessidade de expertise industrial em reciclagem. Desenvolver as embalagens do futuro exigirá profissionais preparados para um cenário multidisciplinar, que dominem processos, materiais, química, engenharia e inovação.

Talvez a maior preparação para o futuro não esteja apenas em comprar novas tecnologias, mas em formar as pessoas capazes de aplicá-las com embasamento teórico, técnico e prático. Afinal, a mudança regulatória transforma toda a cadeia e exige um novo fluxo de conhecimento para o setor papeleiro.

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Júlia Gabriela

Júlia Gabriela Dick, Coordenadora de Produção de Papel na Trombini Embalagens S/A, possui mais de uma década de experiência no setor de papel e atua com ênfase no tratamento de águas residuais.
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