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O desafio da mudança na qualidade da matéria-prima para a fabricação de papel

Por Antônio Lemos, presidente da Voith Paper na América do Sul

Caros colegas do setor,

Estamos testemunhando uma transformação notável no panorama da matéria-prima utilizada na fabricação de papel, e essa mudança está exigindo um olhar mais atento e adaptações nos fatores mais importantes das máquinas que fabricam o nosso produto.

A qualidade da matéria-prima, particularmente o papel reciclado, tem mostrado flutuações preocupantes. As taxas de reciclagem estão em ascensão, um sinal auspicioso para a sustentabilidade e a economia circular, mas este crescimento traz consigo novos desafios para nossos equipamentos de produção.

No Brasil, as taxas de reciclagem de papel têm demonstrado um crescimento notável nos últimos anos, alcançando índices acima de 70%. Essa tendência é uma vitória para nossos esforços de sustentabilidade, porém, à medida que a quantidade de papel reciclado aumenta, menor é a entrada de fibra virgem neste circuito. Isso pode acarretar maior número de quebras, maior necessidade de intervenção de operadores, aumento do consumo de químicos, ou seja, perda de eficiência da máquina. Dessa maneira, novas demandas são impostas às máquinas de fazer papel.

Vale ressaltar ainda, que existe uma tendência cada vez maior de buscarmos circuitos de água cada vez mais fechados e, por sua vez, uma forte busca pela própria redução do consumo de água! Algumas fábricas até mesmo, trabalham com um consumo muito perto de zero, adicionando ao processo apenas a quantidade de água evaporada. Ressalto que tecnologias para isto estão cada vez mais presentes.

É crucial reconhecer que esta mudança na qualidade da matéria-prima não é apenas uma tendência momentânea, mas sim uma realidade que se intensificará no futuro próximo. Nossa indústria está navegando por adaptações à medida que os padrões de qualidade da matéria-prima evoluem com as taxas de reciclagem em alta.

Estas novas condições requerem adaptações dos equipamentos utilizados para a fabricação de papel e o processamento das diversas matérias-primas utilizadas no processo produtivo. Simultaneamente a isso a elevação da eficiência operacional é um desafio constante especialmente nestas condições atuais. Além da modernização dos sistemas de preparo de massa, a digitalização é grande aliada do papeleiro para mitigar flutuações na máquina, mantendo produtividade e eficiência.

Para manter a excelência na produção, devemos encarar esses desafios como oportunidades para inovação. Estamos diante da necessidade de reajustar nossos processos, de aprimorar nossa capacidade de adaptação e de desenvolver novas técnicas que atendam aos requisitos emergentes.

Nossa equipe está comprometida em enfrentar essas mudanças com determinação e expertise. Ao nos adaptarmos às novas exigências da matéria-prima, estamos fortalecendo não apenas nossa produção, mas também nossa posição como líderes na indústria de papel.

Que esta evolução nos inspire a buscar soluções criativas e a promover um ambiente de colaboração onde possamos enfrentar esses desafios juntos.

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Antonio Lemos

Antonio Lemos, presidente da Voith Paper América do Sul, possui longa experiência no mercado de papel e celulose. Presente no Grupo Voith há 32 anos, o executivo ingressou na companhia em 1991, como estagiário na área de engenharia de aplicação e vendas, passando a ocupar o cargo de presidente em 2021. Antonio é apaixonado por Papermaking e considera que a construção de um mundo melhor é pautada pela união de pessoas dedicadas, ações sustentáveis e investimento em transformação digital.

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