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Nova regulamentação europeia marca uma nova etapa no mercado de embalagens

Por Amando Varella, Co-CEO e diretor de Comercial e de Marketing da Papirus

Ancorado em tendências como reciclabilidade, redução de materiais e uso de matérias-primas recicladas, o mercado de embalagens avançou, nos últimos anos, na incorporação de práticas sustentáveis às estratégias corporativas, mas em ritmos distintos, como compromisso voluntário. A nova regulamentação europeia sobre embalagens e resíduos de embalagens, conhecida como PPWR (Packaging and Packaging Waste Regulation), acelera esse movimento ao transformar princípios da economia circular em exigências progressivas de acesso ao mercado.

A PPWR entrou em vigor em fevereiro de 2025 e teve aplicação a partir de agosto de 2026. Suas regras abrangem as embalagens comercializadas no mercado da União Europeia, independentemente do material ou do país de origem. Por isso, seus efeitos também serão sentidos por empresas brasileiras que exportam para o mercado europeu e por seus fornecedores.

Mais do que estabelecer metas ambientais, a regulamentação cria uma nova lógica para o desenvolvimento das embalagens. Composição, segurança química, reciclabilidade, redução de materiais, reuso e documentação técnica passam a integrar as exigências legais. Alegações ambientais relacionadas aos atributos regulados pela PPWR também precisarão ser comprovadas e indicar claramente se dizem respeito à embalagem completa, a um de seus componentes ou ao conjunto de embalagens.

Nas etapas seguintes, a PPWR avançará sobre o design, a reciclagem em escala e a redução de peso e volume. Para as empresas, o desafio será não apenas o cumprimento das regras, mas a incorporação desses critérios ao desenvolvimento das embalagens.

Será necessário que as marcas apresentem, de forma transparente, todo o processo de produção das embalagens para demonstrar que ele segue os requisitos da PPWR. E, para isso, serão necessárias informações dos convertedores, dos fabricantes de papelcartão e de demais insumos. Também ganharão importância os dados sobre composição, origem das matérias-primas, conteúdo reciclado, segurança química e comportamento da embalagem nos fluxos de reciclagem.

O segmento de papelcartão, nesse contexto, tem muito a ganhar, por reunir origem renovável, reciclabilidade e possibilidade de incorporar fibras recicladas e integrar cadeias consolidadas de recuperação. Também poderá ser uma alternativa ao plástico para uso em estruturas mais complexas de embalagens, a exemplo de bandejas, embalagens para o e-commerce, soluções para alimentos, cosméticos, medicamentos e congelados.

Para que esse potencial se concretize, a PPWR prevê que a reciclabilidade seja avaliada considerando a embalagem e seus diferentes componentes. Será necessário garantir a separação dos materiais, a reciclagem e a qualidade da matéria-prima recuperada de insumos como adesivos, tintas e vernizes.

A regulamentação também prevê a redução do peso e do volume das embalagens ao mínimo necessário. Para a cadeia de papelcartão, essa exigência pode estimular projetos mais leves e bem dimensionados, com menos uso de materiais.

O atendimento aos critérios da legislação europeia poderá se estender a outros mercados, posicionando ainda melhor as empresas brasileiras para atender clientes internacionais e futuras exigências do próprio mercado nacional.

A contribuição do segmento de papelcartão vai, inclusive, além, ao oferecer rastreabilidade, dados técnicos e conhecimento para apoiar convertedores, marcas e exportadores na escolha das estruturas mais adequadas. Empresas que já tiverem estruturado o processo de economia circular, como a Papirus, irão assegurar, de partida, um diferencial competitivo.

Essa transformação está alinhada ao que a Papirus já faz, ao promover o uso de fibras recicladas, fortalecer a circularidade, medir impactos e desenvolver soluções em parceria com os clientes. Um exemplo disso é a nova tecnologia de barreira funcional, em fase final de desenvolvimento, voltada à substituição do plástico em algumas aplicações.

E podemos avançar ainda mais, com conhecimento, informações técnicas e soluções que ajudem nossos clientes a se preparar para esse novo ambiente.

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Amando Varella

Amando Varella é Co-CEO e Diretor Comercial e de Marketing da Papirus. Com 36 anos de experiência no setor de Papel e Celulose, nas áreas de marketing e comercial, o executivo atua na Papirus desde 2006. É engenheiro mecânico pela Escola de Engenharia Mauá, bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie e pós-graduado em Marketing pela ESPM.
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