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México: as tarifas impostas em 2024 no mercado de papel funcionaram?

Por Rafael Barisauskas, Senior Economist, Latin America Pulp, Paper & Packaging Analytics

O México impôs tarifas de importação de 25-35% a países não parceiros – mirando, sobretudo, a China – para papel cartão e alguns tipos de papel gráfico em maio de 2024, com o objetivo de reduzir as importações de papel virgem com preços competitivos para proteger a indústria doméstica local de reciclados, que opera com custos mais elevados. Funcionou? 

A resposta curta e direta (sob a ótica de um exportador chinês) ou mais amarga (da perspectiva de um produtor mexicano) é que não funcionou como desejado, levando a indústria local a começar discussões sobre novos aumentos de tarifas. Comparando a participação de mercado das importações chinesas de papel cartão no primeiro trimestre deste ano ante igual período em 2024, a verdade revela a fragilidade da indústria doméstica (ou a força das importações chinesas de baixo custo). 

A participação de mercado das importações chinesas de papel cartão sobre o total de importações cresceu 0,3 ponto percentual no primeiro trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período em 2024, atingindo uma média de 16,7%. Este aumento na participação ocorreu apesar do consumo mais fraco de cartão devido à baixa demanda local no momento. 

Contudo, a participação atual é menor que os 23% observados antes da imposição das tarifas, indicando que as tarifas reduziram ligeiramente a presença da China no México, enquanto outros fornecedores internacionais ganharam alguma participação de mercado desde o ano passado, especialmente os EUA, que só tiveram ganho em sua participação de mercado em 2025, quase um ano depois do início da vigência das tarifas.  

Entre maio e dezembro de 2024, o Chile e fornecedores europeus se tornaram mais relevantes que outros fornecedores, incluindo os EUA, assumindo o market share perdido pelos chineses. Contudo, após a eleição de Trump, os EUA recuperaram sua participação de mercado no México, atingindo 49% em fevereiro de 2025, em comparação com uma média inferior a 44% antes das tarifas. 

Esta mudança ressalta a eficácia da tarifa em redirecionar o fornecimento mexicano para os EUA, em vez de promover ganhos significativos para outros grandes exportadores ou para a indústria local, como era o desejado. 

As importações totais de cartão no México caíram 39,5% durante o primeiro trimestre, enquanto as importações da China diminuíram em um percentual ligeiramente menor, 38,5%, aumentando assim sua presença no mercado mexicano no primeiro trimestre de 2025 versus o quarto trimestre de 2024. Mas é importante destacar que a queda nas importações está ligada, sobretudo, à redução na demanda local em meio às incertezas econômicas. 

Não surpreendentemente, o mercado já ventila a possibilidade de solicitar ao governo tarifas adicionais contra importações chinesas para proteger o mercado doméstico. End-users também relatam que a compra de caixas de cartão convertido feitas de papel virgem chinês continua mais barata do que aquelas produzidas com papel reciclado local, apesar da tarifa atual de 35%. 

O impacto dos acordos comerciais em um mundo de fricções comerciais fica ainda mais evidente agora, especialmente para os EUA e os principais países da UE no mercado mexicano de papel cartão. Os acordos comerciais do México com os EUA e a Europa permitiram que fornecedores dessas regiões mantivessem ou aumentassem sua participação de mercado em meio a tarifas protecionistas, enquanto países sem acordos, como China e Brasil, enfrentaram reduções significativas de acesso. 

Os EUA, beneficiando-se do USMCA, emergiram como o claro vencedor com quase metade do mercado no início de 2025. Em contraste, os ganhos da UE, apesar dos acordos comerciais, foram limitados, embora sua posição ainda fosse mais resiliente que a da China. Isso destaca como estruturas comerciais preferenciais protegem exportadores de mudanças políticas repentinas e criam um fosso competitivo que pode rapidamente remodelar a dinâmica do mercado. 

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Rafael Barišauskas

Rafael Barišauskas é economista na Fastmarkets e possui mais de 10 anos de experiência em projeções econômicas e análise de mercados de commodities da América Latina, como papel e celulose. O executivo atua com análises econômicas, ajudando stakeholders do setor a tomar melhores decisões. Em paralelo, leciona no Centro Universitário de Análise Econômica da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), na área de Análise da Cadeia de Valor do Agronegócio.
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