Klabin projeta recuperação de preços e descarta novos grandes investimentos no curto prazo
Companhia anunciou reajuste de 6,6% para papel cartão no mercado interno, prevê melhora nos preços globais e mantém foco na redução da alavancagem após ciclo de investimentos
A Klabin realizou recentemente a teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026 e indicou que o período atual marca a fase final de um ciclo de investimentos, enquanto a companhia aposta na recuperação de preços em diferentes mercados. Entre as medidas anunciadas, está um reajuste de 6,6% no papel cartão destinado ao mercado brasileiro, previsto para entrar em vigor no segundo semestre deste ano. De acordo com a empresa, o aumento tem como objetivo recompor a inflação acumulada desde o último reajuste aplicado em maio de 2024.
Durante a apresentação, o diretor-presidente da companhia, Cristiano Teixeira, afirmou que a empresa observa sinais positivos para os preços internacionais. “A gente enxerga recuperação de preços em praticamente todos os mercados, o que deve, obviamente, repassar os custos de energia e logística que todos sofreram nesse primeiro trimestre”, declarou o executivo. Segundo Teixeira, a companhia está “bastante confiante” em uma recuperação nos preços da celulose fluff, com efeitos mais perceptíveis a partir do segundo trimestre.
A empresa também acompanha os impactos das tensões no Oriente Médio sobre os custos operacionais, especialmente devido à alta do diesel, que afeta o transporte florestal e a logística rodoviária. Ainda assim, a diretora financeira da companhia, Gabriela Woge, afirmou que não há preocupação imediata com abastecimento de insumos. “Não vemos neste momento nenhum risco de desabastecimento de insumos para a companhia. Estamos trabalhando desde o início do ano em renegociações com fornecedores para minimizar esses impactos”, explicou Woge. A executiva acrescentou que o diesel representa aproximadamente 40% do custo da tarifa rodoviária e que a companhia segue acompanhando a política de preços da Petrobras.
No mercado interno, a companhia destacou o avanço das vendas ao setor de bebidas. Segundo a Klabin, as comercializações do produto carrier para o segmento cervejeiro praticamente dobraram na comparação com o primeiro trimestre de 2025. Já para o mercado de papelão ondulado, a expectativa da empresa é de que os reajustes ao longo de 2026 acompanhem a inflação.
Apesar do desempenho comercial, a empresa informou que ainda sente reflexos de pressões de custos registradas no ano passado. De acordo com Woge, eventos climáticos ocorridos em 2025 continuam impactando o custo das fibras, que permanece elevado em relação ao mesmo período do ano anterior.
Na área de investimentos, a companhia informou que a construção da nova caldeira de recuperação da unidade Monte Alegre alcançou 80% de execução no primeiro trimestre, acima dos 76% previstos no cronograma original. “Estamos no último ano desse ciclo transformacional de investimentos que tivemos nos últimos nove anos”, afirmou Teixeira. A expectativa da empresa é ampliar a geração de fluxo de caixa livre a partir de janeiro de 2027, após a conclusão dos projetos em andamento.
Ao mesmo tempo, a companhia descartou novos projetos de grande porte no curto prazo. Segundo a diretoria, o plano de expansão em Santa Catarina permanece suspenso e não deve ser levado ao Conselho de Administração ao longo de 2026. “Seguiremos desalavancando a companhia e nenhuma previsão de investimento ou estudo será proposto para o conselho este ano”, disse o presidente.
A diretora financeira reforçou que a empresa seguirá priorizando a redução da alavancagem financeira. Conforme informado pela executiva, a relação entre dívida líquida e Ebitda encerrou o trimestre em 3,3 vezes. “A companhia segue focada em sua trajetória decrescente de alavancagem de forma disciplinada, fortalecendo a estrutura de capital”, concluiu Woge.















