Klabin encerra ciclo de investimentos e prioriza controle de custos e geração de caixa
Após investir cerca de R$ 30 bilhões em expansão florestal e industrial na última década, companhia não prevê grandes aportes até 2030 e mantém foco na eficiência operacional e alocação de capital
A Klabin encerrou um ciclo de aproximadamente uma década de investimentos, que somou cerca de R$ 30 bilhões destinados à expansão de sua estrutura florestal e industrial. Com os principais projetos concluídos, a companhia não prevê novos aportes de grande porte até 2030 e deverá concentrar a estratégia na disciplina de custos, na alocação de capital e na geração de fluxo de caixa livre.
“Foco é alocação de capital e geração de fluxo de caixa livre. Não há investimentos significativos nos próximos cinco anos”, disse o presidente, Cristiano Teixeira, em teleconferência. A modernização da caldeira da unidade de Monte Alegre (PR), atualmente em andamento, é considerada o último investimento relevante desse ciclo.
Entre as alternativas para destinação de capital está a recompra de ações. Segundo Teixeira, porém, a política de remuneração aos acionistas não deve ser modificada. Atualmente, a companhia prevê pagamentos equivalentes a entre 10% e 20% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado.
No segundo trimestre, o lucro atribuído aos acionistas controladores da Klabin foi de R$ 277,1 milhões, queda de 52% na comparação anual. O resultado foi afetado principalmente pela valorização do real frente ao dólar, que reduziu as receitas provenientes das exportações, e pelo aumento dos custos de fabricação, em meio à elevação dos preços de insumos influenciada pelo cenário geopolítico.
Para a diretora financeira, Gabriela Woge, o câmbio foi o principal fator negativo sobre o desempenho. “À exceção do câmbio, o negócio, operacionalmente, foi muito bem.”
O Ebitda ajustado totalizou R$ 1,96 bilhão no trimestre, recuo de 4%. Apesar da queda, o resultado ficou acima das estimativas de analistas, cerca de 10% superior à projeção do Itaú BBA e 4% acima da expectativa do Citi.
A companhia também manteve sob controle o custo caixa total consolidado por tonelada, indicador que considera de forma integrada os diferentes negócios. O indicador avançou 1%, para R$ 3,2 mil por tonelada, dentro da faixa considerada pela empresa como meta, entre R$ 3,2 mil e R$ 3,3 mil.
A estabilidade foi obtida com uma combinação de redução dos custos variáveis, repasses de preços e comercialização de excedentes de ativos florestais. As despesas com vendas, que incluem logística, armazenagem e fretes, recuaram 4%. O resultado também foi beneficiado pela renegociação de contratos de contêineres, com efeitos registrados no segundo trimestre.
Segundo Woge, a preparação da operação para o fenômeno El Niño também teve impacto sobre os custos, em razão da abertura de estradas e da formação de estoques. “A preparação para o El Niño, com abertura de estradas e formação de estoques, de alguma forma, também acabou impactando o custo, mas fatores como repasses de preço compensaram”, disse.
No segmento de embalagens, os preços do papelão ondulado aumentaram 3%. O movimento compensou a estabilidade dos volumes comercializados e contribuiu para um crescimento de 5% na receita da área, que alcançou R$ 1,59 bilhão.
Já o negócio de papéis, que reúne cartões e kraftliner, apresentou crescimento de 4% no volume vendido, para 359 mil toneladas. Woge avaliou que o segmento atravessa um momento favorável e indicou expectativa de novos ajustes de preços ao longo do restante do ano.
No mercado de fibra longa, Teixeira afirmou que as condições permanecem favoráveis e que a empresa espera reajustes principalmente em produtos de maior valor agregado. A redução de capacidade produtiva em algumas regiões do mundo, incluindo o Hemisfério Norte, contribui para ampliar o diferencial de preços e beneficia a operação da companhia.
A fibra curta, por sua vez, apresentou recuperação dos preços, mas o cenário ainda é marcado pela expectativa de novos ajustes. A administração da Klabin acompanha a entrada de novas capacidades produtivas, que podem exercer pressão sobre os preços.
“Vai levar alguns anos”, disse Teixeira. “Mas, ao mesmo tempo, é bastante limitado o aumento de área plantada na China.”














