Investimentos de fábricas e aumento da demanda elevam preços das aparas de papel
Por executivos da Associação Nacional dos Aparistas de Papel (Anap)
Os novos investimentos em fábricas de embalagens, em Minas Gerais, Paraná e São Paulo, e o período de produção maior para atender à demanda no segundo semestre aumentaram a procura por aparas de papel marrom e elevaram os preços da matéria-prima reciclada.
Há vários projetos em andamento de fábricas novas ou de ampliação. Entre os principais investidores estão a Irani Papel e Embalagem, com a ampliação de sua unidade em Santa Luzia, em Minas Gerais, e o Grupo Penha, em São Paulo.
Em fato relevante, o Grupo Irani, que reportou um lucro líquido de R$ 30,9 milhões no segundo trimestre de 2026 (72% menor em relação ao mesmo período do ano passado), aprovou o projeto Gaia XII, orçado em R$ 514 milhões, para reformar a máquina de papel 07 e ampliar em 60% a capacidade da unidade de Santa Luzia.
Já o Grupo Penha finalizou, em abril, um novo ciclo de investimentos em sua unidade matriz, em Itapira (SP), com aportes superiores a R$ 200 milhões direcionados à ampliação da capacidade produtiva e à atualização tecnológica. Os investimentos tiveram início em julho de 2024 e se estenderam por aproximadamente dois anos, representando um avanço na estrutura industrial da empresa.
Além disso, houve a operacionalização da BO Paper no Paraná e a reativação da antiga planta fabril da Madepar, em Aparecida do Norte (SP), agora sob nova administração.
Desde maio e junho, as fábricas de papelão na região Sul intensificaram a compra de aparas marrons em seus próprios estados, para economizar com custos de frete. O aumento das compras ocorre em um período de maior demanda por embalagens com as festas de fim de ano.
Essa estratégia do Sul avançou também para São Paulo e Minas Gerais, levando a uma reação nos preços.
Em São Paulo, observou-se, no mês de julho, um aumento de aproximadamente 3 a 5 centavos por quilo das aparas marrons, enquanto, em Minas Gerais, o impacto foi mais significativo, com aumentos de 5 a 10 centavos por quilo.
REFORMA TRIBUTÁRIA
A implementação da reforma tributária e a perda dos incentivos fiscais estaduais, por outro lado, estão redefinindo a estratégia geográfica das indústrias. Com a adoção dos novos impostos (IBS e CBS), o imposto será cobrado conforme o local de consumo, não mais em relação ao local de produção.
Isso está forçando as indústrias a produzirem mais próximo dos grandes centros consumidores para reduzir custos logísticos, já que os antigos incentivos tributários terão data de validade definida.
A estratégia agora é clara: produzir perto do consumidor. Isso explica por que vemos reativações de plantas em São Paulo e ampliações em Minas Gerais, que são grandes centros consumidores.













