Integridade, tributação e vantagens para o papel-cartão brasileiro
Por Fernando Carvalho, Head de Estratégia e Marketing da Ibema
Em um momento de pressão global, com dinâmica de oferta alterada e maior vigilância sobre práticas socioambientais, a indústria brasileira de papel-cartão encara dois grandes vetores de mudança: as implicações de certificações internacionais sobre fornecedores externos e uma nova realidade tributária doméstica. Com essas transformações, as empresas do país têm a oportunidade de reforçar sua competitividade. Para isso, no entanto, é preciso estar atento à integridade dos processos e à estratégia fiscal.
Recentemente, foram divulgadas revisões por parte da FSC (Forest Stewardship Council) sobre fornecedores internacionais, motivadas por conflitos com comunidades indígenas e alegações de violações socioambientais em concessões florestais.
Esse cenário evidencia que, para empresas que atuam globalmente ou fazem parte de cadeias de fornecimento internacionais, a conformidade com padrões de certificação – e a reputação associada a eles – são fatores que podem representar risco ou vantagem competitiva.
No Brasil, a indústria de papel-cartão tem um diferencial importante: atua com base local, numa cadeia conhecida e com foco crescente em práticas sustentáveis. É um contexto que favorece a valorização de soluções nacionais, especialmente quando aliadas à transparência, inovação e responsabilidade ambiental.
No campo regulatório, em outubro de 2025, o Ministério da Fazenda publicou o Decreto n. 12.665/2025, que alterou a alíquota do IPI para itens descartáveis de papel, cartão e plástico. A partir de 1º de fevereiro de 2026, passa a valer uma alíquota unificada de 6,75% para produtos como copos, canudos e pratos, independentemente do material de origem.
A medida, que atende a pleito da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), busca equilibrar a tributação entre materiais renováveis e plásticos, promovendo maior isonomia e reconhecimento da base florestal nacional. Ao mesmo tempo, para que seja possível aproveitar esse novo cenário, é necessário que questões como custos, logística, reciclagem, inovação e eficiência técnica estejam muito bem alinhadas.
Diante desses dois vetores – maior escrutínio internacional e mudança regulatória doméstica –, a indústria brasileira de papel-cartão encontra uma janela estratégica. Ao combinar integridade (ambiental e social), inovação em produto e adaptação às regras fiscais, o setor pode se posicionar de maneira sólida frente à concorrência externa.
Iniciativas como o aumento do conteúdo reciclado, a melhoria na eficiência logística, o rastreamento da cadeia produtiva, a automação industrial, o uso de Inteligência Artificial (IA) e uma comunicação transparente fazem parte dessa estratégia vencedora.
O momento exige que a indústria do Brasil vá além da eficiência produtiva, atuando com visão estratégica e embasada a princípios sustentáveis, conformidade internacional e atenção à regulação brasileira. Cada vez mais, está claro que valores e integridade importam. Ainda, que a vantagem competitiva está no que é local, responsável e inovador, não apenas no que tem bom custo-benefício.













