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Falta de qualificação preocupa setor de embalagens de papel em meio à alta do e-commerce e da sustentabilidade

Empresas enfrentam dificuldades para preencher vagas técnicas e estratégicas; demanda por profissionais com domínio em automação, sustentabilidade e processos industriais cresce em ritmo acelerado

A expansão do setor de embalagens de papel no Brasil, impulsionada pelo crescimento do e-commerce e pelas metas de sustentabilidade, está esbarrando em um desafio crescente: a falta de profissionais qualificados. De acordo com a Fiesp, 77% das indústrias paulistas relataram dificuldades para preencher vagas no primeiro semestre de 2024. O problema afeta diretamente a produtividade e a capacidade de expansão das empresas.

Dados do setor mostram que, entre outubro de 2023 e setembro de 2024, houve aumento de 18,21% nas contratações no segmento de embalagens de papel, com um salto de 54,29% nas admissões para cargos de liderança entre março de 2024 e fevereiro de 2025. O cenário evidencia a busca por perfis técnicos e estratégicos capazes de acompanhar as transformações tecnológicas e ambientais em curso.

E-COMMERCE AQUECE A DEMANDA POR EMBALAGENS

No primeiro trimestre de 2024, o comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 44,2 bilhões, alta de 9,7% em relação ao mesmo período de 2023, segundo dados da Neotrust. Esse crescimento tem aumentado a demanda por soluções logísticas eficientes, nas quais as embalagens de papel desempenham um papel central.

TENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS E AMBIENTAIS AMPLIAM PRESSÃO POR QUALIFICAÇÃO

A transformação digital tem acelerado mudanças nas fábricas, com a adoção de inteligência artificial, automação de processos e análise de dados para ganho de eficiência e redução de custos operacionais — que podem chegar a 15%. Já as metas ESG ampliam a necessidade de domínio em práticas sustentáveis e certificações ambientais, como FSC.

Nesse contexto, cresce a demanda por profissionais com conhecimentos específicos em processos industriais, operação de equipamentos modernos, gestão de resíduos, controle de qualidade e implementação de tecnologias digitais.

 

PERFIS MAIS PROCURADOS PELAS EMPRESAS

Entre as competências técnicas mais valorizadas pelas empresas estão:

  • Operação e manutenção de máquinas de papel, papelão ondulado e kraftliner;
  • Sustentabilidade industrial, com foco em certificações e economia circular;
  • Automação industrial e integração de sistemas digitais;
  • Controle de qualidade e engenharia de processos;
  • Habilidades socioemocionais e flexibilidade para diferentes modelos de contratação.

Além disso, há um esforço crescente para atrair jovens profissionais e promover a diversidade, como forma de renovar a força de trabalho e reverter o esvaziamento do interesse pelas carreiras industriais.

EMPRESAS INVESTEM EM TREINAMENTO E PARCERIAS

Para contornar o déficit de qualificação, indústrias do setor têm investido em parcerias com instituições como o Senai, universidades e escolas técnicas. Também são adotadas estratégias internas de requalificação de equipes, especialmente para adequação a novos processos automatizados.

Entidades industriais, como o Ciesp, alertam para a necessidade de políticas públicas que incentivem a formação técnica e profissional, além de campanhas que valorizem a indústria como setor atrativo para as novas gerações.

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