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Após 2022 positivo, Papirus avalia cenário desafiador para cartões em 2023

A empresa aumentou em 35% seu faturamento no último ano, para R$ 798 milhões, enquanto se aproxima de encerrar um ciclo de expansão de capacidade

A fabricante de papel cartão Papirus encerrou o ano de 2022 com um desempenho acima do previsto e da média do setor. A companhia reportou crescimento de 7% nas vendas para o mercado interno, enquanto as exportações tiveram alta de 1%, alcançando um faturamento 35% maior, de R$ 798 milhões, no último ano.

O desempenho da empresa está alinhado a sua estratégia já implementada de expandir a capacidade de produção e de desenvolver produtos sustentáveis, em sua maioria produzidos com o uso de aparas pós-industriais e pós-consumo dentro do projeto de economia circular da companhia.

CENÁRIO EM 2022

Para o co-CEO e diretor de marketing e comercial da empresa, Amando Varella, o ano de 2022 foi de muitos desafios para a economia brasileira e global. “Entramos em um momento de reacomodação após a pandemia. O ritmo de oferta retomou os patamares de normalidade, com a China voltando ao mercado de papel cartão”, avaliou o executivo.

“A queda do custo dos fretes também influenciou a oferta, fazendo com que os estoques voltassem a um patamar regular de mercado. Do lado da demanda, verificamos uma queda na Europa e na região do conflito entre Rússia e Ucrânia, e uma expansão moderada nos demais continentes”, acrescentou Varella.

Neste contexto, outro ponto a favor do crescimento da empresa foi o desenvolvimento de produtos voltados à fabricação de bandejas e copos de papel, para o atendimento dos mercados de delivery e fast food. Esses produtos possuem estruturas adequadas e revestimentos com barreiras para contato com alimentos e bebidas, em diversos tipos de gramaturas e formatos. “Essas são tendências que seguirão em crescimento, e que ajudarão a sustentar o mercado no primeiro semestre de 2023 nos mesmos patamares de 2022”, indicou o diretor.

AVALIAÇÃO PARA 2023

Já para 2023, a Papirus observa um mercado doméstico ainda mais desafiador, principalmente neste primeiro semestre, e já traça projeções mais conservadoras para este ano. Um dos fatores que corroboram essa visão é a entrada em operação da nova máquina de cartões da Klabin, bem como a recente deterioração dos preços internacionais com a retomada da oferta chinesa.

De acordo com Amando Varella, a meta é crescer 15% sobre o faturamento do último ano, que foi impulsionado pelo mix de vendas e a adição de 3% ao volume. “O primeiro semestre no mercado nacional vai ser pautado pela tentativa da China de colocar mais volume aqui, com queda de preço expressiva nos mercados internacionais ditada pelo volume e preços chineses”, afirmou o executivo.

Além da escala, o mercado chinês tem a seu favor, neste momento, matéria-prima mais barata, enquanto a correção dos preços da celulose ainda não alcançou o mercado europeu, o qual serve de referência para o Brasil. Assim, as empresas não integradas de cartão não conseguem ser tão competitivas.

Neste contexto, a Papirus deve manter a aposta em produtos de maior valor agregado e nos oriundos de materiais reciclados, que asseguram margens sustentáveis e seguem sendo mais valorizados.

Segundo Varella, ainda há pouca visibilidade de como o mercado doméstico deve se comportar no segundo semestre. “Voltamos ao que acontecia antes da pandemia: um mercado ofertado, mais nervoso, com insegurança em relação à economia doméstica e a China voltando ao jogo”, disse o executivo.

CONSUMO E PRODUÇÃO NACIONAL DE CARTÕES

Este contexto é bem diferente do observado em 2022, que registrou os grandes produtores de papel cartão operando com 100% da capacidade e paradas programadas em algumas fábricas levaram à necessidade de importação para atendimento da demanda.

Segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), de janeiro a dezembro, o consumo aparente de papel cartão registrou um aumento de 3%, de 700 para 721 toneladas, em comparação ao mesmo período de 2021, enquanto a produção nacional chegou a 728 mil toneladas, queda de 7% na comparação anual.

As vendas domésticas ficaram estáveis em 625 mil toneladas e as exportações recuaram 35%, com os produtores direcionando volumes superiores para clientes no país.

As importações, por sua vez, subiram 28%, de 75 mil toneladas para 96 mil toneladas, justamente porque o produtor local não conseguiu atender à demanda.

EXPANSÃO DE CAPACIDADE

A Papirus está expandindo a capacidade de sua fábrica em Limeira (SP), em volume, para 123 mil toneladas por ano. A fábrica passa por nova parada em maio, quando o projeto de R$ 30 milhões será concluído. Ao mesmo tempo, a companhia inicia estudos para dar um salto posterior de produção, em um plano a ser implantado a partir deste ano.

“A partir de 2023 daremos um passo maior rumo à expansão, e, para isso, estamos iniciando os estudos para definir como se dará esse crescimento, e também em quais mercados vamos avançar”, afirmou Amando Varella.

Fonte
PapirusValor Econômico
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