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Alta no preço do plástico impulsiona demanda por papelão ondulado no Brasil

Crescimento da expedição em março e impactos do conflito no Oriente Médio fortalecem a competitividade do papelão como alternativa ao plástico e à madeira no mercado de embalagens

O setor brasileiro de papelão ondulado registrou crescimento em março de 2026, impulsionado por fatores ligados à substituição de materiais e às mudanças no cenário internacional. Dados do Boletim Estatístico Mensal da Empapel apontam que a expedição de papelão ondulado alcançou 362.499 toneladas no período, configurando o segundo maior volume já registrado para o mês na série histórica, atrás apenas do resultado obtido em 2021.

O desempenho acompanha uma tendência de expansão observada nos últimos anos, em meio ao aumento da demanda por soluções consideradas mais sustentáveis em comparação ao plástico e à madeira. Além dos fatores ambientais, a indústria destaca ganhos relacionados ao consumo reduzido de energia e recursos naturais ao longo da cadeia produtiva, o que contribui para a diminuição da pegada de carbono.

Outro elemento que passou a influenciar o mercado é o impacto do conflito no Oriente Médio sobre a cadeia global de insumos. A instabilidade geopolítica tem pressionado os preços das resinas plásticas, utilizadas na fabricação de materiais como polietileno e polipropileno, com reajustes que podem chegar a 60%. Com o aumento do custo do petróleo e, consequentemente, do plástico, o papel e o papelão ampliam sua competitividade como alternativas para diferentes segmentos industriais.

Além disso, o aumento dos custos logísticos e os riscos relacionados ao abastecimento global têm levado empresas a priorizarem fornecedores locais e materiais alinhados a estratégias de sustentabilidade, cenário que beneficia a indústria nacional de papelão ondulado.

Na região do ABC paulista, o Grupo Mazurky acompanha os reflexos desse movimento no mercado. Segundo o co-CEO da companhia, Eduardo Mazurkyewistz, o contexto internacional tem acelerado a busca por alternativas ao plástico.

“Temos acompanhado de perto os movimentos do mercado e recebido sinalizações importantes. A guerra no Oriente Médio está provocando uma alta expressiva nos preços das resinas plásticas, com aumentos que podem chegar a 60%, encarecendo insumos como polietileno e polipropileno. Isso está acelerando a busca por alternativas, tais como o papelão que surge como uma solução natural, competitiva e sustentável. Estamos preparados para atender essa demanda crescente”, afirma o executivo.

De acordo com a empresa, a meta de crescimento de 10% prevista para 2025 foi alcançada, enquanto a mesma projeção foi mantida para 2026. Para Mazurkyewistz, o cenário pode favorecer ainda mais o setor nos próximos meses.

“O papelão ondulado é historicamente considerado um dos termômetros da atividade econômica brasileira, e tudo indica que os próximos meses serão decisivos. As condições estão se alinhando de forma bastante favorável para o setor, apesar dos aumentos de produção, tanto pelo lado da demanda quanto pelo reposicionamento competitivo frente a outros materiais”, conclui.

Fonte
Mazurky
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