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A competitividade no setor de papel cartão em um novo ciclo de mercado

Por Amando Varella, Co-CEO e diretor de Comercial e de Marketing da Papirus

O setor de papelcartão na América Latina atravessa um momento de recalibragem profunda. Se no passado a competitividade era medida principalmente pela capacidade de reduzir custos e ampliar o volume de produção, o cenário atual impõe uma lógica mais complexa. O que diferencia as empresas no longo prazo é a capacidade de inovar e de desenvolver soluções em conjunto com clientes, o que defino como agilidade colaborativa.

Nesse contexto, o papelcartão deixa de ser tratado como uma commodity e passa a ocupar uma posição mais estratégica dentro da cadeia de embalagens. A evolução do setor está diretamente ligada à habilidade de integrar desempenho técnico, sustentabilidade e valor percebido pelas marcas. A competitividade passa a ser construída de forma conjunta, com maior proximidade entre indústria, clientes e demais elos da cadeia.

A inovação, por sua vez, deixou de ser um departamento isolado para se tornar um elemento presente desde os processos produtivos até o desenvolvimento de novas aplicações. Um exemplo concreto dessa mudança é a substituição de polímeros fósseis por biopolímeros de origem vegetal em barreiras para líquidos. Essa transição não apenas atende às exigências regulatórias, mas também responde diretamente ao compromisso de descarbonização das grandes marcas.

Esse avanço em inovação também se conecta ao fortalecimento da agenda de economia circular. Iniciativas como o Programa Papirus Circular, que garante a rastreabilidade da origem de materiais reciclados de cooperativas e os transforma em créditos de reciclagem, demonstram que o futuro do setor está em modelos de negócio que auxiliam o end user a cumprir a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

A transformação digital também tem papel decisivo na evolução do setor. A adoção de automação, a análise de dados e a integração de sistemas produtivos permitem maior controle das operações, ganhos de eficiência e redução de desperdícios. Mais do que isso, possibilitam uma conexão mais direta entre as demandas do mercado e o ambiente industrial. Esse avanço também amplia a flexibilidade produtiva. Onde antes imperava a rigidez de poucas gramaturas padrão, hoje é possível oferecer uma diversidade muito maior de formatos e especificações e atender com maior precisão às necessidades dos clientes. A personalização passa a ser um diferencial competitivo relevante, elevando o padrão de entrega do setor.

Essa evolução tecnológica é, acima de tudo, uma necessidade de sobrevivência frente à concorrência internacional agressiva. O aumento das importações, especialmente da China, que avançaram 2,8% em 2025 em um cenário de retração do mercado interno, intensifica a pressão sobre a indústria nacional. Diante disso, diferenciais como proximidade com o cliente, sustentabilidade comprovada e capacidade de desenvolver soluções sob medida tornam-se ainda mais estratégicos.

Do ponto de vista da demanda, o avanço do comércio eletrônico também contribui para esse movimento ao ampliar a necessidade de embalagens de transporte eficientes e sustentáveis. A substituição do plástico pelo papelcartão não é mais uma tendência de nicho, mas o pilar central do crescimento do mercado.

Dentro desse contexto de transformação da demanda, olhando para o horizonte de curto e médio prazos, dois segmentos devem concentrar as maiores oportunidades de crescimento. O setor farmacêutico tende a avançar, impulsionado pelo envelhecimento da população e pelo aumento das vendas online de medicamentos. Já o setor de alimentos continuará relevante, especialmente em função do crescimento do food service e da demanda por embalagens práticas que conciliem conveniência e menor impacto ambiental.

O principal desafio competitivo está em equilibrar a pressão de custos com a necessidade de investir continuamente em inovação e sustentabilidade. A concorrência internacional baseada em preço impõe limites, mas também reforça a importância da diferenciação.

O papelcartão do futuro será mais do que uma proteção para o produto. Ele se posicionará como parte integrante das estratégias de sustentabilidade das marcas, contribuindo para metas ambientais e para a construção de cadeias produtivas mais responsáveis.

Para os líderes do setor reunidos no Packaging Summit, em São Paulo, o recado é claro: competir por preço é uma batalha de curto prazo. A competição por meio de inovação, sustentabilidade e integração com clientes será o verdadeiro diferencial competitivo na próxima década.

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Amando Varella

Amando Varella é Co-CEO e Diretor Comercial e de Marketing da Papirus. Com 36 anos de experiência no setor de Papel e Celulose, nas áreas de marketing e comercial, o executivo atua na Papirus desde 2006. É engenheiro mecânico pela Escola de Engenharia Mauá, bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie e pós-graduado em Marketing pela ESPM.
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